A pele é mais do que as máscaras com que nos vestem.
Tenho os cabelos molhados e não me importo. Tenho a barriga vazia e não a sinto.
Subo os degraus largos com esforço, para que pareça fácil. E não olho à volta para não tropeçar.
Pára!
Porra.
Que te falta o ar.
São brancas e manchadas as peles descaídas a que fujo com o olhar. E que olho de soslaio quando afundam na água.
Afugento com a mente a ideia.
Apedrejo com a água as ondas que formam o meu pensamento, no ruído das gargalhadas ruidosas.
São gargalhadas velhas?
São gargalhadas de velhas. Das velhas. Dos meus sorrisos.
E como são velhas as árvores que me fazem sombra e levantam com as raízes o chão que piso. Não me deixam ver a cor dos aviões que passam a rosnar-me.
Engulo o vento que me seca o cabelo.
E subo. Um passo. Paro a meio do degrau. Respiro. Troco. Continuo. Devagar. O olhar. Para cima. Mas não tropeço.
14 janeiro 2010
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1 comentário:
maria,
o segredo de se ter raízes mora nas alturas que pudermos alcançar, de acordo com as profundidades diametrais. em teu texto, há revelação: tudo ao redor nos reverbera - artimanhas da sensibilidade. a escada que sobes, esse caminho de ascensão, é também o aprofundamento de raízes sem as quais é difícil aprumar um rumo. resta escolher: perder o rumo ou não? a poesia será tua bússola.
um beijo,
r
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